Educação 4.0, ensino EaD e as metodologias ativas de aprendizagem

23, fevereiro de 2021

Se você é da geração Y ou da geração dos millennials (pessoas nascidas entre 1984 e 1996) ou também alguns da geração Z (aqueles que nasceram a partir de 1997), certamente você já experimentou o processo de ensino que vamos aqui denominar de tradicional. Vamos voltar um pouco no tempo. Estamos falando de um modelo de ensino pré-formatado e focado apenas na transmissão de conhecimentos por meio da figura do professor.

Voltaremos lá no pré-escolar, você se lembra como era? Tocava o sinal para iniciar a aula, todos se acomodavam em suas carteiras enfileiradas de frente para a professora. Você copiava tudo que a “tia” falava/ditava, tocava sinal do recreio, anotava os deveres de casa. Depois tinha o clássico sinal da aula final (para alguns esse era sinal mais aguardado). Pois bem, contamos essa historinha para mostrar como era a realidade de ensino pelo qual, historicamente, foi nos repassado desde as fases iniciais até o ensino superior.

Podemos concluir então que o processo educativo foi, durante muito tempo, focado apenas no ensino. Ou seja, a maior preocupação dos educadores era mais em ensinar do que realmente aferir se o estudante estava, de fato, aprendendo. Veja bem, não estou dizendo que provas não medem conhecimento. Ao contrário disso, o objetivo aqui é mostrar que outras modalidades de ensino focadas na aprendizagem do estudante também podem ser mescladas no processo de prova regular. É aí que entra o conceito de educação 4.0 com todos os recursos didáticos e tecnológicos para potencializar a aprendizagem dos estudantes.

O termo “educação 4.0” faz referência ao conceito de “quarta revolução industrial”. Só para ficar claro, a primeira revolução industrial aconteceu a partir do século XVIII na Europa, onde foi palco das primeiras revoluções sociais do mundo do trabalho, quando a mão de obra começou a migrar do contexto rural para os grandes centros.

A segunda revolução industrial foi mais específica na Inglaterra. Ocorreu entre o século XVIII e XIX, quando as principais indústrias passaram a existir, acompanhadas pelo desenvolvimento das novas invenções, como a máquina a vapor, por exemplo. A terceira revolução industrial já é mais recente, iniciou a partir da metade do século XIX, e foi palco das primeiras transformações tecnológicas, acompanhada pela invenção dos computadores, os sistemas e o conceito de globalização.

Hoje vivenciamos, no auge do século XXI, a quarta revolução industrial, também conhecida como indústria 4.0. Essa abordagem teórica é replicada em várias áreas do contexto social, como nos exemplos dos conceitos de gestão 4.0, educação 4.0, inovação 4.0 etc.

A quarta revolução tem como protagonista o avanço acelerado das tecnologias como inteligência artificial, robótica, aprendizagem de máquinas, realidade aumentada, computação em nuvem, internet das coisas etc. Todas essas tecnologias são também conhecidas como disruptivas.

Portanto, podemos entender esse movimento da educação 4.0 como o alinhamento entre o uso de ferramentas de TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), soluções de inovações disruptivas e, principalmente, o uso de ferramentas e novas metodologias ativas de aprendizagem.

O primeiro ponto que devemos aqui enfatizar é que o processo de aceleração digital que a pandemia do COVID-19 trouxe para os diversos segmentos de mercado e da sociedade em geral, inclusive, a educação. Esta movimentação tem sido fundamental para que as instituições de ensino façam ajustes em todos seus processos. Neste ponto, citamos os principais processos impactados:

  • Planejamento das aulas, que agora passaram a ser 100% on-line (também conhecida como Ensino a distância – EaD) ou híbridas (Parte dos alunos presencial, seguindo protocolos de enfrentamento ao Coronavírus e parte Telepresencial);
  • Adaptação e ambientação de discentes e docentes com os recursos tecnológicos, tais como softwares de transmissão on-line e síncrono das aulas;
  • Despertamento sobre a relevância e importância das metodologias ativas nos processos de ensino e aprendizagem.

Sobre as metodologias ativas de aprendizagem, podemos dizer que se trata de um divisor de águas na educação. Estamos vivendo uma verdadeira revolução no ensino, para melhor é claro. O EaD passa a ser cada vez mais síncrono, ou seja, com a presença dos professores formadores e tutores acompanhando o processo de aprendizagem do estudante.

Esse modelo tem se destacado pois desenvolve no estudante o papel de protagonista do seu processo de aprendizagem, ao invés de uma postura passiva em que o aluno apenas recebe e toma nota das informações. Embora o aluno também possa ser ativo nesse processo, em muitos casos ainda observa a falta de mais espaços e recursos de interação.

Por outro lado, as metodologias ativas pressupõem autonomia do estudante, pois agora ele passa a ter contato aos conteúdos produzidos de forma direcionada e específica. São os conhecidos conteúdos instrucionais. É como se o professor estivesse realizando a aula, porém por meio de recursos audiovisuais disponibilizados nos AVAs (Ambientes Virtuais de Aprendizagem).

Outro ponto importante de destaque no uso dos conteúdos instrucionais no ensino on-line são os recursos didáticos, tais como desafio, na prática, saiba mais, fique atento. Observe que são as mesmas experiências que o aluno teria em uma aula expositiva, porém, no on-line ele tem a oportunidade de aprofundar mais o conteúdo.

Ele pode explorar indicações de artigos que trataram sobre aquele tema de forma empírica (na prática), ver vídeos de pessoas que se destacaram no contexto social com o uso de determinada metodologia ou abordagem teórica (vídeos dos TEDx Talks por exemplo), além do estudante ter o conteúdo para ler e revisar por meio dos vídeos que retomar os principais pontos.

Além disso, o novo paradigma de ensino/aprendizagem on-line, mediado pelas TICs e com aplicação de metodologias ativas faz surgir um estudante antenado com as transformações na sociedade. Amplia sua visão de mundo e principalmente, coloca este estudante em um local de engajamento com a aprendizagem, com participação colaborativa, que desenvolva as habilidades e competências sobre “saber fazer” e “saber ser”, as famosas hards e softs-skills.

Sobre essa participação e colaboração por meio das metodologias ativas podemos citar um oceano de conhecimentos que têm se formado. A cada dia são descobertas novas ferramentas e métodos de ensino ativos. Apenas para citar alguns, as técnicas mais conhecidas são: gamificação, sala de aula invertida, peer to peer (aprendizagem por pares), jigsaw (aprendizagem em quebra-cabeças), aprendizagem por projetos, aprendizagem baseadas em problemas, Design Thinking aplicado no ensino dentre outras.

Essas metodologias exploram a autonomia do estudante, a participação, a troca de conhecimentos entre grupos dos mesmos cursos ou até mesmo grupos interdisciplinares. É algo realmente transformador e que, com uso das TICs, amplia os espaços para além daquele que conhecemos como sala de aula física.

Portanto, novamente, reforçamos que todos esses processos, técnicas e metodologias aqui apresentados fazem parte de um novo mindset do ensino e aprendizagem, baseado em metodologias que podem ser aplicadas tanto em sala de aula presencial, quanto no EaD.

Aliás, também destacamos que com as metodologias ativas, é quase um paradoxo considerar o ensino mediado pelas TICs, como “a distância”. A ideia é que o aluno possa contextualizar a aprendizagem de forma prática e saiba replicar aquilo no seu desenvolvimento pessoal e profissional.

 

Roberto Rodrigues de Souza Júnior